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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

IKEBANA- A ARTE DO AMOR PELO CAMINHO DAS FLORES

Ikebana

A arte do Ikebana, também conhecida como kado, se originou na India, onde, nas cerimônias religiosas destinadas a Buda, eram ofertados arranjos florais. O arranjo floral da Ikebana deve seguir três pontos principais que simbolizam o céu,a terra e a humanidade. Existem várias escolas de Ikebana e cada escola valoriza e enfatiza um conceito próprio.
Oito séculos depois, a arte do Ikebana deixou de ter um cunho especificamente religioso e passou a ser adotada também como forma de decoração e de arte propriamente dita – aproveitando o significado das flores e cores para formar arranjos que pudessem transcrever com sutileza mensagens e ideais. Surgiram os grandes mestres que cunharam estilos diferenciados e que escreveram seus nomes na história do Japão e do mundo da ornamentação.
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O Ikebana é uma arte complexa e vai muito além de um simples e bonito arranjo floral. Ela aborda espiritualidade e nos ajuda a desenvolver as habilidades de observação, concentração e sensibilidade, além de aproximar o homem da natureza.

No antigo Japão se acreditava que, para invocar os deuses e trazê-los para dentro de nossa casa ou dos templos, os deuses se guiavam por símbolos e ali permaneciam. Esses símbolos que eram indicados por flores ou por uma árvore disposta preferencialmente de forma perpendicular. Até hoje no Japão, em cerimônias religiosas, são colocados arranjos florais com folhas sagradas chamadas Nobori. No ano de 607 d.C. uma missão diplomática chinesa levou para o Japão a arte do Ikebana através da cerimônia do chá. A arte foi estudada pelos samurais, que usavam seu estudo ajudando na concentracão para melhorar o manejo de armas e da katana.
Travel Photos
No Brasil existem cerca de dezesseis escolas que ensinam a arte. Quase todas com estilos diferentes e vinculadas à Associação Ikebana do Brasil. Os praticantes, hoje, resgataram os aspectos religiosos, místicos e espirituais do Ikebana, e buscam com a sua prática um aprimoramento espiritual e um maior contato com a natureza.

A harmonia e os seus  significados

O ikebana quer transmitir a idéia de crescimento contínuo na vida e vitalidade. O ikebana deseja alcançar a recriação do crescimento floral, baseando-se na importância da linha, ritmo e cor. É importante citar que os ocidentais dão maior importância à quantidade e cores do material, apreciando a beleza das flores; já os japoneses dão ênfase à linha do arranjo, desenvolvendo a arte com objetivo de incluir hastes, folhas, ramos assim como flores.
A haste principal é que forma a linha central do arranjo, chamado de “Shin”, e simboliza o Céu, devendo-se escolher o exemplar mais forte que o arranjador tiver em mãos.
A haste secundária ou “Soe” representa o Homem, parte da linha central é colocada de maneira a produzir o efeito de crescimento lateral, devendo ter cerca de dois terços da altura da haste principal.
A haste terciária ou “Hikae” simboliza a Terra. É a mais curta e é colocada à frente ou ligeiramente no lado oposto ao das raízes das duas outras.
É de grande importância a posição correta de cada haste, podendo-se acrescentar flores para preencher o arranjo. Todas são colocadas de forma firme no recipiente, para dar a impressão de que crescem de uma mesma haste. A escolha do recipiente é muito importante, pois a disposição do arranjo dependerá muito do tamanho, profundidade e largura desse. Após a escolha do material e das plantas, o passo seguinte é a poda, para adaptar a flor, ramo ou galho ao arranjo.
São empregados recursos físicos e químicos a fim de manter as flores frescas e vivas. O Mizukiri ou corte da haste em água é o mais simples, evitando a exposição ao ar da extremidade podada da haste, evitando a deficiência de sucção de água pelas plantas.
O recurso químico é a utilização de um pouco de ácido clorídrico ou sulfúrico, que diluídos em água, irão refrescar e dar vitalidade às plantas. Outro recurso é esfregar uma pitada de sal na extremidade das hastes. Para obter maior equilíbrio e firmeza, o arranjador poderá fazer uma curva na extremidade da haste ou ramo, devendo torcê-la com cuidado, utilizando ambas as mãos para evitar que se quebre.
Os princípios básicos da arte do ikebana são respeitados e preservados.
Poderão existir diferenças de opinião e concepção dependendo das escolas de arranjo floral, mas os princípios básicos são comuns a todas elas.

Os estílos de Ikebana

RIKKA
Foi no século VI que os primeiros grupos florais foram vistos, em ambos os lados dos altares dos templos budistas. Tendo por intuito harmonizar-se com a imponência de prédio do tempo, eram chamados de “Rikka”, que significa ” flores eretas”, pois as extremidades de seus ramos e flores apontavam em direção ao céu, tentando indicar a Fé.
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Este tipo de arranjo Rikka era complicado, mas foi se tornando flexível pouco a pouco, e era a forma de arranjo predominante nos templos e palácios, até o estabelecimento do governo Kamakura no fim do século XII.
A montanha sagrada de todos os devotos do Budismo é chamado Shumisen, simbolizando o universo, e os arranjos Rikka surgiram com o intuito de serem dispostas de forma a simbolizar esta montanha.
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Formas de representação:
Materiais de plantas: para representar diversos objetos naturais.
Crisântemos brancos: representam as águas do rio e pequenos córregos.
Ramos de pinheiro: simbolizam rochas e pedras.
Colocação de plantas em seus lugares apropriados: representam a luz solar, sombras e cores de cada estação, dependendo desta colocação.
No arranjo Rikka sempre existirá um pinheiro, no centro do vaso. O pinheiro representa a beleza da paisagem japonesa, presente nas praias arenosas ou de montanha, principalmente nos cenários montanhosos de Kyoto. Depois do pinheiro, outras árvores utilizadas para o arranjo Rikka são: cedro, bambu e ciprestes.
Antigamente era muito utilizado para datas festivas e cerimoniais, mas atualmente não é muito empregado.
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O arranjo clássico

Foi no século VI que os primeiros grupos florais foram vistos, em ambos os lados dos altares dos templos budistas. Tendo por intuito harmonizar-se com a imponência de prédio do tempo, eram chamados de “Rikka”, que significa ” flores eretas”, pois as extremidades de seus ramos e flores apontavam em direção ao céu, tentando indicar a Fé.
Este tipo de arranjo Rikka era complicado, mas foi se tornando flexível pouco a pouco, e era a forma de arranjo predominante nos templos e palácios, até o estabelecimento do governo Kamakura no fim do século XII.
A montanha sagrada de todos os devotos do Budismo é chamado Shumisen, simbolizando o universo, e os arranjos Rikka surgiram com o intuito de serem dispostas de forma a simbolizar esta montanha.
Formas de representação:
Materiais de plantas: para representar diversos objetos naturais
Crisântemos brancos: representam as águas do rio e pequenos córregos.
Ramos de pinheiro: simbolizam rochas e pedras.
Colocação de plantas em seus lugares apropriados: representam a luz solar, sombras e cores de cada estação, dependendo desta colocação.
No arranjo Rikka sempre existirá um pinheiro, no centro do vaso. O pinheiro representa a beleza da paisagem japonesa, presente nas praias arenosas ou de montanha, principalmente nos cenários montanhosos de Kyoto. Depois do pinheiro, outras árvores utilizadas para o arranjo Rikka são: cedro, bambu e ciprestes.
Antigamente era muito utilizado para datas festivas e cerimoniais, mas atualmente não é muito empregado.

O arranjo naturalista

As maiores modificações no desenvolvimento do arranjo floral ocorreram durante o século XV, no governo do Shogun Ashikawa Yoshimasa (1436-1490). As construções de Yoshimasa expressavam seu amor pela simplicidade, tanto nos grandes como também nos pequenos prédios.
Além da simplicidade arquitetônica, ele também simplificou as normas do arranjo floral, com colaboração do artista Somai, tornando a arte do arranjo floral acessível a todas as classes sociais. Este mais simples tipo de arranjo foi chamado “Seiwa”.
Ao fim do século XVI, durante o período Momoyama, houve a criação das casas de chá onde os mestres davam uma expressão mais informal quanto à composição dos arranjos florais. Surgia um estilo mais livre, o “Nageire” que significa “lançado para dentro”.
No estilo clássico, os três grupos triangulares são fixados com firmeza no recipiente, impedindo que qualquer parte do arranjo o toque, já no Nageire, há maior liberdade, onde as flores podem repousar na borda do receptáculo.
O naturalismo e a habilidade do arranjador compor um arranjo que sugira o crescimento natural do material floral utilizado é enfatizado pelo estilo Nageire, dispondo as flores de maneira natural, independente de quais sejam os materiais florais, tentando evitar a artificialidade.
Inovações do estilo Nageire
Haste de cada flor fica isolada, a fim de mostrar seu crescimento natural.
Ramos e hastes podem se entrecruzar, se houver necessidade de realçar as características naturais das flores.
Grande importância a cada parte individual do arranjo, assim como do todo.
O principal objetivo e finalidade do Nageire é encontrar e exprimir a beleza natural de tudo aquilo que estiver em mãos. É a forma simples e natural do arranjo floral.
IKENOBO
Ikenobo é estilo mais antigo. Seu aparecimento data de quase quinhentos anos na cidade de Kioto. Surgiu da mente e das mãos do grande mestre Senkei Ikenobo. São arranjos de flores devotados aos deuses e aos antepassados, normalmente compostos por galhos que saem do vaso simetricamente e recriam um conjunto de paisagens, o chamado Rikka. Foi Ikenobo Senkei que introduziu o arranjo floral na sala de chá. Como era de se esperar, a decoração floral em sala de chá não devia produzir um efeito apenas de beleza e elegância, mas sim expressar pureza, harmonia e simplicidade em um esforço  para representar as profundezas da natureza.
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A diagramacão do Ikebana tomou a forma de uma composição purista, harmoniosa e simétrica, usando  de três hastes mas, no século XVII, tinha evoluído para um estilo chamado Rikka, literalmente “flores em pé”, criado por monges budistas das escolas Ikenobo. Esta forma Rikka era feita em vasos altos de bronze ou prata e exigia um alto grau de concentração e habilidade técnica. O ramo principal simboliza o céu ou a verdade, e é geralmente assimétrico, pendendo para a direita ou para a esquerda antes de sua parte superior retornar para o eixo vertical central. Muitos outros ramos, cada um com seu significado simbólico e função decorativa, emergiam de uma esfera imaginária central. Um ikebana Rikka deve representar um microcosmo e ter a harmonia  do universo através da imagem de uma paisagem. As características principais – assimetria, simbolismo e profundidade de espaço -viriam a exercer uma forte influência nas escolas futuras.
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CHABANA
O estilo das “flores de chá”, uma forma mais austera da arte, teve origem como parte da cerimônia do chá (cha-no-yu), no século XVI. Composta de uma ou duas flores ou galhos num pequeno recipiente, Chabana tornou-se a base de um estilo espontâneo denominado Negeire, significando “arremessar em”, que era feita num vaso alto com poucos materiais, e utilizava meios técnicos sutis para produzir uma evocação simples e poética de beleza natural. Rikka e Negeire definem uma espécie de contraponto na história subseqüente da ikebana. Por um lado, havia uma ênfase na técnica elaborada, escala grande, simbolismo e estilos fixos. Por outro lado, havia espontaneidade, simplicidade e respeito pelas características naturais dos próprios materiais. A tensão entre os dois conduziria a todas as inovações na arte.
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SOGETSU
O estilo Sogetsu é um dos mais recentes. Sua criadora foi Sofu Teshigahara. Usa todo tipo de material e mesmo produtos artificiais, como plástico e sintéticos. A princesa Diana e a mulher de Gandhi eram adeptas da escola Sogetsu de Ikebana.
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OHARA
O estilo Ohara nasceu durante a abertura do Japão para o ocidente (o período Meiji de 1867 a 1912). Seu criador, Unshin Ohara, tentou ser escultor em Osaka. Mas sua saúde frágil acabou dando ao mundo um dos mestres mais notáveis do ikebana. Sua primeira peça (que inaugurava o formato conhecido como Moribana) chocou os mestres da época porque fugia do tradicional e, segundo eles, se assemelhava à madeira empilhada.
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O mestre Ohara Unshin (1861-1916) foi o criador do estilo “flores amontoadas”, “, criado por Ohara Unshin (1861 -1916), fundador da escola Ohara, revolucionando completamente a arte. Enquanto que em todos os estilos tradicionais os materiais eram reunidos para emergir do recipiente num único ponto, Ohara usava várias espécies de suportes para arrumar plantas numa superfície expandida em recipientes ocos, chamados suiban (bacia de água). Este permitia a utilização de materiais novos importados que não podiam ser acomodados aos estilos antigos. Também permitia a criação de estilos de paisagem, shakei, que reproduziam cenas da natureza numa maneira simbólica. Outro inovador importante foi Adachi Choka (1887-1969), que adotou Moribana e descreveu seu trabalho simplesmente como “decorativo”.
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A Ikebana em todo mundo

Hoje, em todo mundo, 16 milhões de pessoas praticam o Ikebana; são mais de 3.000 escolas espalhadas por todo mundo. Cada país acaba criando suas regras e técnicas na hora de elaborar seu arranjo floral. A diversidade de flores e plantas e as diferentes espécies que cada país possui, faz que essa arte seja diferente em todos os lugares do mundo.
Artigo escrito com base no Livro: “Word of Ikebana” e parte do texto estraído do maravilhoso site da Escola Brasileira de Bugei, que trata de diversos assuntos relacionados a cultura japonesa.

BEIJINHOS 

E MUITO OBRIGADA POR ENTRAREM NO MEU BLOG !
BYE

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